Me gritaram negra, poema de Victoria Santa Cruz Poeta, estilista, coreógrafa e folclorista. A peruana Victoria Eugenia Santa Cruz Gamarra é uma figura multitalentosa e histórica para toda a população negra da América. Nasceu em 1922 na província La Vitoria, em Lima, no Peru. Filha do dramaturgo e poeta Nicomedes Santa Cruz Aparicio e da bailarina marinera Victoria Gamarra. A arte esteve sempre presente em seu dia-a-dia e ao longo de sua existência se constituiu como o principal canal para a auto expressão de sua identidade negra. Posicionou-se contra o racismo em uma sociedade que a pele negra também incomodava. A chamaram de negra e ela gritou de volta compondo um dos poemas e expressões anti-racistas mais icônicos da história. Usou sua história de vida para falar das aflições de milhões que vivem no continente americano. (Victoria Santa Cruz) Tinha sete anos apenas, apenas sete anos, Que sete anos! Não chegava nem a cinco! De repente umas vozes na rua me...
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O diário de Anne Frank
Sábado, 20 de Junho de 1942 "Durante uns dias não escrevi nada porque, primeiro quis pensar seriamente na finalidade e no sentido de um diário. Experimento uma sensação única ao escrever o meu diário. Não é só por nunca ter - escrito -, suponho que, mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse nos desabafos de uma mocinha de treze anos. Mas na realidade, nada disso importa. Apetece-me escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos. O papel é mais paciente do que os homens. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos e sem saber o que havia de fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, a maior parte das vezes, ficava-me a cismar sem sair do sítio. Sim, o papel é paciente! E não tenho a intenção de mostrar este caderno com o nome pomposo de “Diário” seja a quem for, a não ser que venha a encontrar na minha vida o tal “grande amigo” ou a tal “grande amiga”. De resto, a mais ninguém ...
Notícia de jornal – Crônica de Fernando Sabino
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, trinta anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante setenta e duas horas, para finalmente morrer de fome. Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos de comerciantes, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome. Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome. O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Médico Legal sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um ma...













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