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Mostrando postagens de março, 2020

O diário de Anne Frank

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Sábado, 20 de Junho de 1942 "Durante uns dias não escrevi nada porque, primeiro quis pensar seriamente na finalidade e no sentido de um diário. Experimento uma sensação única ao escrever o meu diário. Não é só por nunca ter - escrito -, suponho que, mais tarde, nem eu nem ninguém achará interesse nos desabafos de uma mocinha de treze anos. Mas na realidade, nada disso importa. Apetece-me escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos.  O papel é mais paciente do que os homens. Era nisso que eu pensava muitas vezes quando, nos meus dias melancólicos, punha a cabeça entre as mãos e sem saber o que havia de fazer comigo. Ora queria ficar em casa, ora queria sair e, a maior parte das vezes, ficava-me a cismar sem sair do sítio. Sim, o papel é paciente! E não tenho a intenção de mostrar este caderno com o nome pomposo de “Diário” seja a quem for, a não ser que venha a encontrar na minha vida o tal “grande amigo” ou a tal “grande amiga”. De resto, a mais ninguém ...

Minha Alma (A Paz Que Eu Não Quero) - O Rappa

A minha alma 'tá armada E apontada para a cara do sossego Pois paz sem voz paz sem voz Não é paz é medo As vezes eu falo com a vida As vezes é ela quem diz Qual a paz que eu não quero Conservar para tentar ser feliz As vezes eu falo com a vida As vezes é ela quem diz Qual a paz que eu não quero Conservar para tentar ser feliz A minha alma 'tá armada E apontada para a cara do sossego Pois paz sem voz paz sem voz Não é paz é medo As vezes eu falo com a vida As vezes é ela quem diz Qual a paz que eu não quero Conservar para tentar ser feliz As vezes eu falo com a vida As vezes é ela quem diz Qual a paz que eu não quero Conservar para tentar ser feliz As grades do condomínio são para trazer proteção Mas também trazem a dúvida se é você que 'tá nessa prisão Me abrace e me dê um beijo Faça um filho comigo Mas não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo, domingo Procurando novas drogas de aluguel Nesse vídeo coagido É pela paz que eu não quero seguir admitindo ...

Tá namorando!!

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No fim da sétima série, depois de muitas olhadas e risinhos sem graça, eu e o Kim, que era da minha sala desde a quarta série, engatamos um namoro. Namoro gostoso, lotado de frios na barriga e beijos intermináveis. Ele era um fofoleto comigo. Romântico, cavalheiro, abria meu mate, desembrulhava meu sanduba natural no recreio... A gente passava a meia hora do recreio embaixo de uma árvore no pátio menor de mãos dadas, um olhando pro outro. O problema era a hora de voltar para a sala, o que significava conviver sob o mesmo teto comigo... e com os amigos... - Pô, cara! A gente te procurou o recreio inteiro! A gente não tinha ninguém para ficar no gol - reclamou Sidney, seu melhor amigo. - Acabamos botando o João, mesmo - completou Humberto, seu melhor amigo número 2. - O João? Mas ele não agarra nada! - ficou chocado meu namorado. - Pois é, perdemos de 34 a 2. Onde é que tu tava? A turma toda já estava na sala esperando pela Rosa, professora de g...

RESTOS DO CARNAVAL

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Clarice Lispector         Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu.         No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite ...